Carta de um mês sem você

Sem você aqui,  foram tantos detalhes sentintidos no tempo remoto. Em momentos senti, sua risada gostosa, aquele jeito singular de ser, sua voz que me cala, manias insanas que por minutos admiro sem você perceber, como me acolhe rude e carinhosamente, Seus dedos indo e vindo em minhas costas em dias agitados até eu adormecer, o brilho do seu olhar quando te pego ao me observar, as brigas necessárias que ao fim nos faz retornar ao eixo, nossas danças improvisadas na sala mesmo sem haver música a soar, palavras ao vento, abraços apertados que só nós sabemos dar, brincadeiras que nos remete ao retorno de nossas crianças.
E hoje perto do seu regresso o peito volta a apertar. Ao abrir e fechar os olhos todos os dias a esperança de te ver, a cada decisão tomada a falta dos seus conselhos, nos dias frios e acalorados seus braços ao meu entorno, nos passeios, sempe a falta de você, ao observar um pássaro ou até mesmo os detalhes do prédio vizinho o vaziu de comentários.

Em alguns momentos te esqueci, escondi inconsciente os sentidos ligados a ti. Esqueci propositalmente dos nossos pequenos, grandes detalhes para a saudade parar de doer.

Porém, mesmo te esquecer me fazia te lembrar e assim eu sorria imaginando sua felicidade nesta nova vivência.

Agora a ansiedade de você chegar, me contar suas aventuras e novamente em seus braços poder me atirar.

Você e a saudade

Não consigo te ver,

não posso te tocar,

seu cheiro já não está mais em mim,

você está ficando como a tal da saudade que não vejo, não toco, não cheiro, mas sinto. 

A única diferença é que ela aperta meu coração e você o engrandece.

Então eu descobri mais uma vez que a vida é curta e, há um tempo vivendo com essa descoberta diária, como se me desse amnésia entre o fechar e abrir dos olhos, questiono se dou um passo para trás e sinto meu coração tranquilo, sinto estabilidade, mesmo que ela não me faça completa, ou se me atiro com o frio no estômago, coração acelerado e enfrento os medos. A vida é curta, mas trago na cabeça sonhos espremidos como laranjas, mar de gotas salgadas que caíram dos meus olhos, estilhaços de vidros vermelhos colados em forma de coração, pêssegos rosados de vergonha que por vezes apareceram em meu rosto por ferimentos no ego, achados e perdidos que minha cabeça criou, jardim de ervas daninhas que plantei e um gigante baú de memórias caídas como folhas mortas.

A vida é curta e há um tempo me atirei, joguei longe com um guindaste o pesado baú e fui com frio no estomago, coração acelerado e medos no bolso e a cada dia pulo de bungee jump e subo de rapel com um grande sorriso no rosto sabendo que das próximas todas as sensações serão iguais, mas sempre chegarei no topo sorrindo por dentro e por fora.

A vida é curta, mas a preencho com a grandeza de vivê-la plenamente.

Sem pausas

Todo tempo tem seu tempo.

toda hora é de mudar,

toda vida tem o valor,

que a gente sabe dar.

Tudo que começa termina,

todo termino tem começo,

nada há de acabar.

Tudo tem respostas

toda resposta uma pergunta,

para sempre questionar.

Em um toldo o infinito,

todo infinito não tem fim,

passos não irão cessar.

Quero deixar os cinzas

Quero deixar os cinzas.

Cargas grossas de trovões frívolos que racham o reduto de luz azul ao meu entorno.

Quero zarpar dos cinzas.

Prefiro mar azul que tenham até fortes ondas mas que o marinheiro em mim viste o horizonte de calmaria.

Despeço-me dos cinzas.

Que os combates cessem e pombas brancas sejam soltas da alma amorosa para a terra de zumbis.

Pintarei de lilás as paredes cinzentas.

Que aflore o invisível nos corações de quem só vê o palpavel, brotando o real valor que não é explícito mas sim implícito.

Deixarei as cinzas.

Fora da concha

Deitada assistindo Netflix, reclamando da dor no ciático que metafísicamente eu criei para me proteger de mim mesma…

Não!Eu não posso mais parar!

Foram inúmeras vezes que me peguei acomodada em criações minhas por medo de ferir o ego que tanto alimento sem perceber, achando que estava certa de me proteger desse mundo tão incerto.

Acontce… Não percebo quando construo minha cômoda concha e fabrico pérolas falsas para serem vendidas como joia para aqueles que já possuem seus tesouros verdadeiros, ou não para exibi-los. Então a concha fica cada vez mais apertada, esmagando o coração e já sem ar eu quebro as cascas e respiro como no meu primeiro dia de vida para não morrer aos poucos.Então corro para a vida, me transbordo, dou tudo que aprendi a dar até o momento e ela me esfarela feito pedra que viram grãos de areia ao bater das ondas, até eu ficar saudosa, lembrando do conforto da concha.

E lá estou eu, indo em direção do que é comodo, quando me lembro que a vida por mais turbulenta que seja  ensina a me reerguer e sustentar, a concha me protege até esmagar.

Liberta da comodidade momentânea me solto sem medo, navego em mares não explorados, afundo em águas rasas, faço jangadas, descubro ilhas, luto com piratas e volto ao porto como capitã de mim.

O que ser?

—Quem é você?

— Eu? Sou eu, quem mais eu seria?

— Sim, mas quais suas principais características?

— Ser humano, viver, errar, aprender, sorrir, chorar, sonhar, amar…

— Isso é óbvio. Tá, vou mudar a pergunta: — Qual sua maior qualidade?

— Bem, acho que todas as minhas qualidades são grandes.

— Ta bom, e seu maior defeito?

— Acredito serem aqueles que são colocados pelos outros em mim. Não vejo defeitos e sim oportunidades para aprender.

— Nossa! É difícil manter um diálogo com pessoas como você.

— Sério? Acho mais difícil entender o motivo de classificar cada um para apenas resumir e fazer de seres individuais incríveis mais rótulos sociais.

Mundo molde

A totalidade é moldável.

Do padrão fincado em mentes, 

formas, linhas, estereótipos…

Do protótipo ao exemplar.

Ser o que se é na imponência natural?

Ou ser a simetria perfeita firmada?

Em todas as formas propostas nos segundos vividos, livre arbítrio é farsa ou guerra para imposição de apenas ser.

O dia há um ano, você.

Lá estava ela, eu a olhava escondida, congelada pela sensação da energia que senti ao observa-la. Eu deveria sair daquela paralisia involuntária e agir, mas lá estava eu, em um oceano de sensações em mim e com os pés fincados ao chão. dsc_0043Respirei e fui, andei lentamente até aquela fila de poetas e em cada passo a gravidade terrestre aumentava e ao mesmo tempo que eu avançava  ficava mais difícil andar, quando menos esperava olho para o lado e lá estava aquela mulher que em segundos de olhares tirou toda a gravidade, me fez flutuar e com poucas palavras trocadas gelou meu estômago, esquentou minha alma.
Juntas estávamos em uma oficina de poesias e até hoje não sei o que me encantou mais, a musa que me inspirou ou a poesia que me fez encontra-la, apenas sei que foi um grande dia de conto de fadas que juntas aproveitamos dia e noite tudo que podíamos compartilhar até eu perder completamente a noção de tempo e local e navegar calmamente na incrível emoção de estar em sua companhia.

Hoje, sinto da mesma forma da qual senti há um ano, porém com a total certeza de que aquela mulher me completa de todas as formas e sei que a quero ao meu lado para o resto da minha vida.

dsc_0099Habib, hoje é um dia muito feliz para mim e quero te agradecer por estar sempre ao meu lado mesmo em dias que estamos distantes de corpo e agradeço a Deus por  ter encontrado você, que é o complemento de mim e assim nos completando estamos sempre uma aprendendo com a outra e nós crescendo juntas, caminhando de mãos dadas unidas pelo amor, cuidado, cumplicidade, amizade, carinho, afinidade e paixão.

Que sejamos muito felizes pelos próximos anos de nossas vidas assim como somos neste primeiro ano do início da nossa história.

Eu te amo!

 

 

A menina dos olhos de cofre.

Seus olhos guardam tesouros perdidos, achados pelas memórias trancadas cujo as chaves jogadas ao ar são encontradas de tempos em tempos por releituras anônimas de si.
Um olhar blindado pela criança ferida que já viu de tudo, mas se perdeu em vidas alheias por fazer de sua vista uma janela da qual se deixou transpassar, o vidro se quebrar por amantes da dor.

Minha menina dos olhos de cofre, coração de ouro e alma de nobre.
Linda Mulher, menina tão jovem que nos olhos esconde um grande horizonte de histórias sem fim.

Em momentos descubro a chave coberta de grãos de areia e logo vejo seu mundo antes que os grãos sejam queimados para novamente se tornarem vidraças de cofre, cofre da alma, alma lacrada nos olhos de cofre que você possui.